Por traz das demasiadas camadas criadas pela anulação, é mostrado um lado oposto que tamanho desgosto possui de si à criar inúmeros regimentos com o intuito de auto afastamento. O 'estado 0' é a criança abafada, agredida, desprezada, humilhada, ... , em tantas formas e vezes que é capaz de criar traumas indecifráveis, pois esta é a sua natureza, a criação pura e simples, no entanto, talvez o ser haja instintivamente/pela auto preservação/auto manutenção, aclama por algo que venha a cessar aquele ato, ativando uma forma semi-condicionada e conforme o nível de repetições, condicionado, assim, conforme o surgimento da imagem, os sentidos são alertados e a reação é decorrencial.
O afastamento da criança passa a surgir com demasiadas formas condicionadas, surgindo, naturalmente, uma padronização que nos impossibilita acessa-la. Tal padronização tem muitos rostos, mas o mais aparente é o 'dever ser' (não no sentido de ideal, mas de obrigação), tal regimento é a maior culpada pelo niilismo do ser, no entanto, indispensável a conexão entre dois, ou mais, indivíduos.
Sua negação é a impossibilidade de co-existência, sua afirmação é o aniquilamento.
As culpas possuem mais de 1 milhão de rostos, sendo insuperáveis, um rodamoinho sem fim. A criança que entrar na terra das culpas não consegue voltar, pois uma área inesgotável, pela qual a criança pode exercitar-se repetidamente criando padrões inacessíveis. Dentre as culpas, vale ressaltar a mais importante que flutua perante a existência do "dever ser", a atribuição à eles, em uma junção. Este mostra-se cintilante perante as demais, com brilho tal que qualquer criança se apega. A atribuição de culpa à eles pode sobrevir em decorrência de opiniões, gestos, falas, pensamentos, política, etc.., gerando uma posição imóvel, totalmente contrária à criança que está em constante movimento, não à procura de algo específico, mas com o próprio intuito de movimentar-se, não procura a verdade em sua memória, mas, sim, procurar novos atos que gerem lembranças. Não procura pelo niilismo da idéia, apenas realizar suas vontades. Não procura verdade em si, mas em se verdadeiramente ativa.
A procura pela criação parte do desmascaramento até o estado 0 pelas possibilidades que este estado oferece, após a necessidade da procura ser preenchida, sentimo-nos intimados a nos fantasiar novamente, caso contrário, nos privamos da própria vida.
Tanto o movimento, como a estática são necessários, a procura e a preguiça se suportam, se uma é demasiada há caracterização no ser, refletindo ansiedade, ou desgosto ? passando sensação de desconforto e infelicidade. A criança não está em um universo paralelo a este, também porque os canais utilizados são os mesmos. Criando a consciência que um parte, em quanto o outro permanece, podemos nomeá-los em canal 1 e 0, pelo qual o primeiro é a ação e o segundo o repouso. A necessidade, seja por questões cosmológicas, ou simplesmente chocolate é o elemento que ativa o indivíduo a uma ação. Esta pode vir sob qualquer forma ou intensidade, sob uma sensação simples, uma espécie de vulcão que jorra a partir da boca do estomago, ou uma lembrança de algo doce provida de um meio entre a língua e o céu da boca, entre inúmeras outras. Tal necessidade pode ser saciada ou não, quando saciada, provoca uma estado de prazer, implicando, possivelmente, em felicidade, assim diminuindo gradativamente até alcançar o repouso, tal pode implicar em preguiça, que posteriormente gerará um novo estado de necessidade, gerando um novo ciclo. Tais necessidades podem decorrer por necessidades físicas, fisiológicas, etc, em virtude de tempo perdido, ocasião que uma lembrança associada a determinado objeto se sobrepõe a outra mais antiga gerando sensações que serão relacionadas a uma imagem (sentido amplo), agredindo, de um certo modo, o indivíduo que partirá em busca à descobrir o que aquela imagem significa -por meio de indução lógica (ver Marcel Proust ? Em busca do tempo perdido). -Provavelmente existem outras formas que não associo neste momento-
A criança escondida dentre cada indivíduo, em um mundo (individual) que se torna complexo a cada instante, é ativada e desativada, mas não mostra a sua face, apenas sua sombra aparece conforme a solicitação, pois tal não pode ser requisitada, pois possui uma palavra que apenas ela conhece, e qualquer definição plausível para ela é motivo de chacota, a criança é o estado de liberdade, pois apenas ela, como estado 0 (e não sua sombra) possui a capacidade de criar libertando o indivíduo de suas memórias e obrigações. Ela utiliza os mesmos canais 1 e 0, no entanto ela reelabora a forma de utiliza-lo, não fazendo qualquer sentido tentar compreender tal não-sistemática, assim, ela despe-se de qualquer instituição, seja a da beleza, estética, ela apenas flui como o vento o faz.(7-6-04)
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