Fins? Vontade?
(...)
Vamos aprender, então, pois já é tempo: em nosso suposto reino especial de fins e de razão governam também os gigantes! E nossas teias são rasgadas tão frequentemente e tão grosseiramente por nós mesmos como por uma telha (que pode vir a cair em nossas cabeça)! E nem tudo o que se chama finalidade é finalidade, tampouco é vontade o que se denomina vontade! E, se quiserem concluir: "Então há apenas um reino, o dos acasos e da estupidez?" - devemos acrescentar: sim, talvez haja somente um reino, talvez não exista vontade nem finalidade, e nós apenas as imaginamos. As mãos férreas da necessidade, que agitam o copo de dados do acaso, prosseguem jogando por um tempo infinito: têm de surgir lances que semelham inteiramente a adequação aos fins e a racionalidade. Talvez nossos atos de vontade e nossos fins não sejam outra coisa que tais lances - e nós somos apenas muito limitados e vaidosos para apreender nossa extrema limitação: a saber, que nós mesmos agitamos o copo de dados com mãos férreas, que nós mesmos, em nossas ações mais intencionais, nada fizemos senão jogar o jogo da necessidade. Talvez! - Para ultrapassar esse talvez, seria preciso já haver estado no mundo inferior e além de toda superfície, e haver jogado dados e apostado com Perséfone em sua própria mesa.
0 Comments:
Postar um comentário
<< Home