Delírios de um Ditador

não sei dizer o que é e o que não é, as coisas tomam seu proprio rumo se a induzi-la estarei embriagado em demasia.

23.9.06

O garoto invisivel

Era uma vez um garoto invisivel. A todo lugar que ia, se modificava. Toda conversa que participava, se escravisava, como à um vicio. Não aparecia, não se via; à ele, nada servia. Se uma folha em branco pegava, nela se transformava. Ó garoto medonho, diziam? Não, ele não sabia, para ele nada ia, nada fazia. O garoto invisivel crescia e mais invisivel permanecia, quanto mais crescia; menos queria.
O garoto não era invisivel, seus pais diziam, mas ele disto não sabia. O nada é o que mais queria. O garoto invisivel assustava, nada queria, nada tinha, me assustava. Enquanto crescia, diminuia e diminuia, até que um dia não mais o via. O garoto invisivel um dia sumiu, mas logo reapareceu, pois lhe construi uma casa sob o eterno por-se-do-sol conforme ele sempre descrevia ao me despertar. O garoto invisivel reside aqui, quem sabe possa também residir por aí?

2 Comments:

At 2:04 AM, Blogger fpasetto said...

O garoto invisivel procura eternamente por seu lar, talvez, por não ter mais nada. Está só e perdido como uma parte incompleta. Poderia me aceitar como parte de um ser que o que mais quer é tornar-me invisivel aos olhos de outros e aceitar-me ante isto?

 
At 10:35 PM, Blogger lipão/fê said...

garoto invisivel mora em mim
me apoderou sem ao menos saber ou querer
esta em mim por nao ter onde ir
eu me procuro e acho em mim o que nao consigo saber
e é o garoto invisivel
que mora em mim sem ocupar-me

muito bom seu texto

quis criar uma parte

estes dias andei pensando muito sobre mim, em esquema visual bem proximo disso

valeu

abraço

 

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